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Mitos: entre jovens e menos jovens …

Virtudes dos Jovens e dos Velhos

“Os jovens são mais aptos para inventar do que para julgar, para executar do que para aconselhar, para os novos projectos do que os negócios estabilizados. Porque a experiência da idade, nas coisas que quadram os velhos, dirige-os, mas engana-os nas coisas que aparecem de novo. Os erros dos jovens causam a ruína dos negócios; mas os erros dos velhos limitam-se ao que deveria ser feito de novo, ou mais cedo.


Os jovens, na condução e na economia dos negócios, têm ampla visão das coisas que não podem dominar, agitam mais do que apaziguam, voam rapidamente para os fins sem consideração dos meios e dos graus; conduzem os poucos princípios, que por acaso acolheram, até ao absurdo; não receiam inovar, o que traz desconhecidos inconvenientes, usam de princípio os remédios extremos, e, o que duplica todos os erros, não querem reconhecer-se nem retratar-se, como o cavalo mal ensinado que não quer parar nem retroceder.
Os homens de idade objectam muito, consultam muito, aventuram-se pouco, arrependem-se depressa, raras vezes, conduzem os negócios ao grau de plenitude, porque se contentam com a mediocridade no êxito.

Certamente, é proveitoso combinar o emprego de novos e velhos: será vantajoso para o presente, porque as virtudes das duas idades corrigem reciprocamente os defeitos; será vantajoso para o futuro, para que os novos se instruam enquanto os velhos estão agindo; e, finalmente, será vantajoso para os acontecimentos externos, porque a autoridade acompanha os velhos, enquanto o favor popular acompanha os novos.

Mas, do ponto de vista moral, talvez a juventude tenha a preeminência de que a velhice goza na política. Um certo rabino glosando o texto: «Os vossos jovens hão-de ter visões, e os vossos anciãos hão-de sonhar sonhos», inferiu que os novos são mais admitidos perto de Deus do que os velhos, porque a visão é uma revelação mais clara do que o sonho.

E, certamente, quanto mais um homem se embriaga com o mundo, mais intoxicado fica; e a ideia traz mais provento para os poderes do intelecto do que para as virtudes da vontade e das afeições”.

Francis Bacon, in “Da Juventude e da Velhice”

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Francis Bacon nasceu em Londres, em 22 de janeiro de 1561, e faleceu na mesma cidade em 9 de abril de 1626. A sua educação orientou-se para a vida política, na qual alcançou posições invejáveis. Foi filho de Nicholas Bacon e Ann Cooke Bacona. A  mãe de Francis Bacon falava cinco idiomas e foi considerada como uma das mulheres mais eruditas de sua época.

Eleito em 1584 para a Casa dos Comuns, sucessivamente desempenhou, durante o reinado de Jaime 1º, as funções de procurador-geral, fiscal-geral, guarda do selo e grande chanceler. Em 1618 foi nomeado barão de Verulam e, em 1621, visconde de St. Albans. Acusado de corrupção pela Casa dos Comuns, foi condenado ao pagamento de pesada multa e proibido de exercer cargos públicos.

A obra de Bacon representa tentativa de realizar o vasto plano de “Instauratio magna” (“Grande restauração”). De acordo com o prefácio do “Novum organum” (“Novo método”), publicado em 1620, a “Grande restauração” deveria desenvolver-se através de seis partes: “Classificação das ciências”, “Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza”, “Fenômenos do universo ou História natural e experimental para a fundamentação da filosofia”, “Escala do entendimento ou O fio do labirinto”, “Introdução ou Antecipações à filosofia segunda” e “Filosofia segunda ou Ciência nova”.

A realização desse plano compreendia uma série de tratados que, partindo do estado em que se encontrava a ciência da época, estudavam o novo método que deveria substituir o de Aristóteles, descreviam o modo de se investigarem os fatos, passavam ao plano da investigação das leis e voltavam ao mundo dos fatos, para nele promoverem as ações que se revelassem possíveis.

Obviamente, a impossibilidade de realizar obra de tamanho vulto foi logo percebida por Bacon, que produziu apenas certo número de tratados. Não obstante, a primeira parte da “Grande restauração” chegou a completar-se e se encontra nos “Nove livros sobre a dignificação e progressos da ciência”. O “Novo método ou Manifestações sobre a interpretação da natureza” apareceu em 1620.

 

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Categorias:Uncategorized
  1. 13 de Dezembro de 2011 às 10:10

    Que os mitos de dissolvam pelos lados do sul é o meu desejo!Um desafio a louvar o desta professora, minha colega, e da Universidade em apostar em disciplinas inovadoras e necessárias … é disto que Portugal necessita … Obrigado Professora Rosa Silvestre!!!!!

  2. 22 de Dezembro de 2011 às 20:39

    Obrigado Professor Fernando Nogueira Silva pelo seu comentário e evidentemente pela sua grata visita!

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